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RENATO RODRIGUES DE LIMA JÚNIOR
( BRASIL - MINAS GERAIS )
Graduado em Letras: Licenciatura Plena em Língua Portuguesa e Língua Inglesa, pela Universidade Federal de Ouro Preto (1993).
Desde 1995, dedica-se ao resgate da vida e obra do jornalista, poeta e escritor mineiro José Severiano de Rezende, tendo feito viagens-pesquisa no Brasil, França e Portugal.
Possui mestrado em Teoria e História Literária, na área de História e Historiografia Literária, pela Universidade Estadual de Campinas (2002), onde apresentou a dissertação "O refratário e abnegado José Severiano de Rezende".
Entre 2018 e 2020, produziu os seguintes livros inéditos: -"Memória recortada: a Mariana de José Severiano de Rezende", crônica sobre a Mariana de 1898 e 1899, ilustrada com fotos e notícias da folha diocesana "D. Viçoso", editada e dirigida pelo autor, quando padre na cidade. -"Cartas jogadas: correspondência de José Severiano de Rezende e outras afins", coletânea de 107 cartas que traçam um retrato bastante detalhado da trajetória de vida do escritor. -"Esgaravatando a memória literária: ensaios sobre a vida e obra de José Severiano de Rezende", 6 ensaios. -"Apanhado relampejante: coletânea de textos esparsos de José Severiano de Rezende", 154 textos em prosa e verso que estabelecem um panorama da carreira jornalística do autor, mais a referência bibliográfica de 101 outros textos.
Desde 2010, atua como professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Redação em escolas públicas de Mariana e Ouro Preto.
Informações coletadas do Lattes em 30/09/2023
LIMA JÚNIOR, Renato Rodrigues de. ENTOANDO O “HINO AO HOMEM VENTURO” um poema de guerra de José Severiano de Rezende. Mariana, MG: Ed. do Autor, 2024. 100 p. ISBN 978-65-01-26779-1 No. 10 943
Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda
A TENTAÇÃO
A Augusto Ethaw
I
Ignota landa astral da Benaventurança
Do teu seio diflui o eflúvio da Esperança
Bem vejo a tua luz, bem ouço os teus cantares,
Mas o urso negro ainda entre os verdes palmares.
O Demônio da Carne e engazeia os olhos
E eu só, correndo através dos abrolhos.
Landa astral, landa astral dos augurais Profetas,
Grunham dentro de mim as cousas mais abjetas.
Faz-me espanto, confesso, esta história sem fim
De tais rumores dentro de mim :
Querem fazer-me crer que as bocas dos Profetas
Dizem, para eu ouvir, estas cousas abjetas.
Faz-me espanto, confesso, esta história sem fim
De tais rumores dentro de mim :
Querem fazer-me crer que as bocas dos Profetas
Dizem, para eu ouvir, estas cousas abjetas.
II
Ignota landa astral da Bemaventuranza,
Já não há sobre a terra o que eu chame esperanza.
Se eu vejo a tua luz, não ouço os teus cantares
E o urso branco que brame entre os gelos polares!
O demônio da Carne estatela os dois olhos,
E estou só, estou só, entre brumas e escolhos.
Landa astral, landa astral dos virginais Profetas.
Tramam dentro de mim as ações mais abjetas.
Faz-me pavor, no entanto, esta história sem fim,
Pois há, conluios dentro de mim.
E vão fazer-me crer que as bôcas dos Profetas,
Louvam, para eu cair, estas ações abjetas.
III
Ignota landa astral da Benaventurança,
Só há na terra ódio e desesperança.
Não vejo a tua luz, não ouço os teus cantares,
Mas há vinho e canções dentro dos lupanares.
O demônio da Carne escrutou-me os refolhos
E envenenou-me o sangue a chispa dos seus olhos.
Landa astral, landa astral dos divinais Profetas
Rezam dentro de mim ladainhas abjetas.
Ó minha alma! que horrenda esta história sem fim
Ai! de tais vozes dentro de mim.
Mas eu nunca hei de crer que as bocas dos Profetas
Rezam para eu chorar, estas rezas abjetas
Poema “A tentação” em Mistérios, 1971.
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